Linhas, volumes, ângulos.

Roustang Carrilho

Tendo como referência os materiais cênicos e de movimento pesquisados até aqui, o processo criativo de vin\co pede, para o seu figurino, conexão com certas noções e princípios presentes na concepção desse espetáculo que prima pela plasticidade e simplicidade – linhas, volumes, ângulos, geometria, orientalidade, parcimônia, leveza, dobras, vincos, pregas, calma, silêncio, urbanidade, sutileza, ar, texturas, etc.

Para elaborar esse figurino conectado à atmosfera do trabalho, convidei o cenógrafo, figurinista, diretor, ator (e tantas outras polivalências) Roustang Carrilho. Figura desejada, demandada e, provavelmente, o primeiro nome a ser pensado na cidade quando se fala na criação desses dois fundamentais domínios da encenação teatral: cenário e figurino.

Conheço o trabalho do Roustang de longa data, desde criações dele para os grupos Andaime cia. de teatro, Coletivo Antônia, Instrumento de ver, até concepções para trabalhos dos quais fui intérprete ou que foram dirigidos por mim, como o cenário dos espetáculos “2” (2008), de Giselle Rodrigues, Perfume de açougue (2010) e Fio a Fio (2015), este último dirigido e concebido por mim em parceria com Giselle Rodrigues (com quem Roustang já colaborou também bastante), e para o qual ele fez cenário e figurinos de uma coesão e unidade admiráveis, em total cumplicidade com a concepção do espetáculo e com o pensamento e desejos dos diretores, o que acabou resultando na merecida premiação, em 2016, nas categorias melhor figurino e melhor cenografia no Prêmios Sesc do teatro Candango, do qual, aliás, ele acumula premiações e indicações.

O que me atrai no trabalho desse artista é a assertividade das escolhas, cúmplices de uma compreensão rápida e de uma capacidade de escuta dos desejos e necessidades daquilo que um espetáculo e seu tema pedem. Em seus cenários e figurinos os materiais, as formas, as cores, as quantidades sempre se justificam e sempre significam em um conjunto sígnico, simbólico, concreto e metafórico na rede semântica e poética do pensamento do espetáculo para os quais foram criados, o que resulta em espetáculos visualmente fortes, seja pela simplicidade, seja pela complexidade ou pela ousadia de certas escolhas.

A sensibilidade do olhar e da mente criativa de Roustang serão essenciais para a atmosfera de vin\co. Certamente teremos mais um figurino lindo para contemplar.

Que venha vin\co.

Édi Oliveira.

Mais do primeiro ensaio aberto.

Foto: João Saenger

O fotógrafo João Saenger foi o nome escolhido para fazer as fotos de registro das sessões de apresentação de vin\co, e as fotos de toda a arte gráfica para a divulgação do espetáculo. Acompanho o trabalho do João como colaborador do Instrumento de ver, para quem ele fez fotos incríveis, e sempre tive vontade de experimentar o olhar que ele lança sobre os trabalhos.

Pois bem, ele já começou a registrar o processo, fazendo fotos lindas do primeiro ensaio aberto , ocorrido no dia 19/12/2018.

Vejam algumas:

Foto: João Saenger
Foto: João Saenger
Foto: João Saenger
Foto: João Saenger
Foto: João Saenger
Foto: João Saenger
Foto: João Saenger
Foto: João Saenger
Foto: João Saenger

Foto: João Saenger
Foto: João Saenger
Foto: João Saenger
Foto: João Saenger
Foto: João Saenger
Foto: João Saenger
Foto: João Saenger
Foto: João Saenger
Foto: João Saenger
Foto: João Saenger
Foto: João Saenger
Foto: João Saenger
Foto: João Saenger
Foto: João Saenger

Entre Haikais e Silêncios

Essa semana, no dia 08/02/2018, no Galpão do Instrumento de Ver, na Vila Planalto (DF), o processo criativo do espetáculo vin\co, do dançapequena em parceria com o Instrumento de ver, vai ter a honra de receber a colaboração, a provocação da artista, antropóloga, Doutora e alquimista dos cheiros e das maneiras amorosas de falar Rita De Almeida Castro, juntamente com Felipe Castro Praude. Serão quatro horas (9h/13h) de um encontro certamente enriquecedor, onde serão abordadas questões caras ao processo de vin\co, como a presença do sensório, da sensibilização da presença, da dilatação do tempo, da necessidade e expressividade da pausa, tudo permeado pela presença poética do Haikai.